20080331

Pouco...

"O maior de todos os erros é não fazer nada só porque se pode fazer pouco. Faça o que lhe for possível"

Palavras de Sydney Smith...
Às vezes o pouco que fazemos pode ser o suficiente para outra pessoa...

Às vezes basta fazer um pouco para que uma multidão se junte a nós e transforme esse pouco num muito...

Às vezes, não mais que tantas vezes, deixamo-nos levar pela preguiça e transformamos sempre o pouco em nada...

[img. José Marafona]

20080329

Sentimentos...


Sentimentos: do Lat. sentire; perceber por meio de qualquer dos sentidos; experimentar; lastimar; reconhecer; dar conta ou fé de; notar com estranheza, desgosto ou mágoa; ter o sentimento do belo; apreciar; receber impressões; sofrer; ter pena; ter o conhecimento, a consciência do seu estado ou disposição; mostrar-se magoado, melindrado; ressentir-se.

Sentimentos… aqueles malvados que nos percorrem a espinha, apertam o coração, deixam as pernas a tremer, transformam um olhar sorridente num mar de tormentas, deixam as faces rosadas e uma sensação esquisita no estômago como se borboletas saíssem dos seus casulos no interior de nós…
Sentimentos que nos atrapalham, nos deixam sem reacção, nos encerram debaixo dos cobertores nos dias de chuva ou nos fazem correr e rir até doer a barriga (e dor não passa de um sentimento)!
Sentir o arrependimento, sentir a culpa, sentir a moleza de um dia de preguiça ou até mesmo o coração acelerado de um susto valente…
Emoções, essas maganas (eu e as expressões alentejanas, não liguem) que se transmitem num simples olhar… as pupilas dilatam ou contraem, uma lágrima se forma (quer de tristeza, quer de alegria) e os olhos que se fecham depois de umas boas cócegas naquela região mais sensível…
Sensações que devemos aproveitar, sentir, absorver como se fossem únicas! E no fundo não deixam de ser únicas e verdadeiras e nos tornam tão especiais, tão diferentes tão sensíveis…
Às vezes vejo pessoas que tentam ocultar o que sentem, que tentam ser fortes, ser impávidas, de rosto sereno e fico a pensar… e penso que se calhar não aproveitam a sua sensibilidade, não se entregam ao momento. A vida é tão curta e imprevisível e temos que sentir tudo o que há para sentir, quero usar os meus sentidos na busca de mais e mais sensações, porque elas existem e têm que ser vividas no momento certo e na hora certa…

Nota da autora: Este foi o post mais difícil que escrevi! Passo a explicar: eu sentia o que queria transmitir mas as palavras não fluíam, não saiam de dentro de mim e quando saiam não traziam nenhum sentido com elas… então fui adiando e adiando… esboçando e rasurando… até que nesta ensolarada tarde ao som Jack Johnson as palavras foram saindo de mãos dadas umas atrás das outras… é o que “espírito malibu” faz às pessoas…

20080325

O cego...


Um publicitário passava por um mendigo cego todos os dias de manhã e à noite e dava-lhe sempre alguns trocos. O cego trazia pendurado no pescoço um cartaz com a frase:

"Cego de Nascimento. Uma esmola por favor".
Certa manhã, o publicitário teve uma ideia: virou o letreiro do cego ao contrário e escreveu outra frase. À noite, depois de um dia de trabalho, perguntou ao cego como é que tinha sido o seu dia. O cego respondeu, muito contente:
- Até parece mentira, mas hoje foi um dia extraordinário. Todos os que passavam por mim deixavam alguma coisa. Afinal, o que é que o senhor escreveu no letreiro???
O publicitário havia escrito uma frase breve, mas com sentido e carga emotiva suficientes para convencer os que passavam a deixarem algo para o cego. A frase era:
"Em breve chegará a primavera e eu não poderei vê-la".

A maioria das vezes não importa O Que diz, mas Como diz...
Podemos usar todas as palavras das mais variadas formas, mas se forem pensadas com cuidado escusamos de criar confusões, de magoar os que nos rodeiam...

20080324

Escolhas...


"Tudo o que fazemos é uma escolha. Aveia ou cereal, avenidas ou ruas, beijá-la ou ficar com ela? Nós fazemos escolhas e vivemos com as consequências. Se alguém se magoa no caminho, nós pedimos perdão. É o melhor que qualquer pessoa pode fazer!"

Palavras retiradas da série Pushing daisies S01E03.
As escolhas que fomos fazendo ao longo desta viagem (a vida) tornaram-nos as pessoas que somos hoje! Foram essas escolhas que nos levaram a aprender com os erros ou a sermos elogiados, a crescer e a ganhar experiência…
E continuaremos a precisar de fazer escolhas… umas mais difíceis, outras mais fáceis, umas que nos arrependeremos e outras das quais nos orgulharemos, mas todas elas importantes à sua maneira…

20080319

O milagre do mar...


"Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz

Segue o mais secreto bailar do meu sonho

Que momentos há em que eu suponho

Seres um milagre criado só para mim."


Palavras de Sophia de Mello B. Andresen...
É inexplicável o poder da praia! Principalmente se acompanhada de um pôr-do-sol...

Ela consegue pegar nas nossas angústias, tristezas e desconsolos, arrancá-los bem do fundo do nosso ser, embrulhá-los na areia quente e atirar tudo junto para o mar, para que este leve tudo para bem longe, para onde ninguém consiga encontrar dentro de uma garrafa a boiar na ondulação...

Por isso, quando as pessoas estão menos bem, encontram sempre na praia o seu refúgio, um cantinho para a reflexão e para libertar o que pretendem apagar das suas memórias...
É esse o milagre do mar...

20080317

Prevenir a queda...

Por entre trocas de palavras com um amigo, fiquei a pensar…
Falávamos que as vezes é melhor “um pé atrás que dois à frente” apenas “para prevenir a queda”. Na altura concordei com ele, pois relembrei momentos em que me acanhei para não me magoar, de cair, de sofrer, com medo de criar nas outras pessoas uma opinião minha que não pretendia, entre tantos outros motivos que no fundo não passam de egoístas…Continuei a reflectir naquela conversa!

No fundo, pensamos antes de fazer alguma escolha (o que de certo modo é positivo)… contudo, tem vezes em que pensamos tanto que acabamos por não tomar algumas iniciativas, de arriscarmos, de viver a vida e sentir as alegrias e as desilusões sempre com medo do que o futuro nos possa reservar…

Estas palavras todas para manter acesa a ideia de “viver como se não houvesse amanhã”, porque a vida é para ser vivida e é pior o sentimento de arrependimento, que no final de contas prevalece a qualquer desilusão ou queda que possa existir (já para não falar de que todas as quedas que damos são momentos de ensino e experiência para o que vier adiante)…

Estas palavras são dedicadas ao Miguel (ou Hugo, como eu prefiro chamar).

20080312

A experiência do silêncio...


- Que é que aprendes nesta vida de silêncio? - perguntou um visitante a um monge de clausura.
O monge, que estava tirando água de um poço, respondeu-lhe:

- Olha para o fundo do poço. Que é que vês?

O homem debruçou-se sobre a boca do poço.

- Não vejo nada.

O monge permaneceu imperturbável e passado um momento disse de novo ao
visitante:
- Olha agora. Que vês? O visitante obedeceu.
- Agora vejo-me a mim mesmo reflectido na água.

Então o monge explicou:

- Viste? Quando desço o balde ao poço, a água agita-se.
Agora a água está
calma. É esta a experiência do silêncio: o homem descobre-se a si mesmo!

Tudo é tão simples quanto isto... mas andamos sempre tão atarefados com os nossos problemas e com a agitação do dia que nem lembramos que as coisas mais simples são as mais puras, as mais bonitas, as mais sinceras...
O silêncio pode por vezes gritar mais alto que as palavras, pode aconchegar mais que um abraço, pode transmitir mais compreensão que o toque...

"Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio..."

20080308

Pequenos milagres...


É simplesmente lindo ver como a Natureza conspira para que as coisas corram bem…

No fundo, as coisas vão sempre correndo bem… todos os dias cruzamos imensas experiências e sorrisos, imensos esquecimentos e desastres, mas os pequenos milagres estão sempre ao pé de nós, nós é que não lhes ligamos nenhuma!

Eles estão lá, sempre lá estiveram, contudo continuamos a passar por eles e não lhes passamos cartão…

Ultimamente têm-me sido difícil fugir desses pequenos milagres, que me rodeiam, que me deixam toda derretida por ver como é que uma coisinha tão frágil consegue ser ao mesmo tempo tão forte… Seja Deus, seja Natureza, existe! E conspira para que tudo corra pelo melhor…

Claro que nem tudo são rosas, há dias que nos vemos rodeados de coisas tristes, de sombras, de escuridão… mas haverá sempre luz ao fundo do túnel, tem que haver! Nós é que complicamos as coisas fáceis, nós é que dificultamos a entrada dessa luz pela nossa retina…

Por isso, por muita areia que me atirem para os olhos, por muitas desilusões, decepções e tristezas eu vou continuar a procurar pequenos milagres na minha vida (sejam os de hoje, sejam os de outro dia) que me vão fazer sempre acreditar! E enquanto acreditar, serei feliz…

mesmo na sarjeta, a Susaninha sabe olhar as estrelas e não deixa de acreditar…” já dizia a Carminho! E é assim que continuarei a ser…

[Se calhar as minhas palavras estão demasiado soltas e sem sentido para quem as lê... para mim fazem todo o sentido e exprimi-las de outra maneira perderia o que sinto... mesmo assim, espero que consigam trazer um pouco de luz no túnel de alguém...]

20080306

A vida não é um jogo...


"A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prémio.

Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se não está de acordo com as regras, demita-se. Invente o seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."

Palavras de Mário Quintana...
É nas coisas mais simples que está a felicidade...
O ser humano, por ser demasiado complexo, tem uma tendência gigante para complicar... complicar, principalmente, as coisas mais simples...

20080305

Como se não houvesse amanhã...


"Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma bênção escondida; uma bênção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.
Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.
Este milagre está nos detalhes do quotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correcta para a decisão que tomaremos.
Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança."

Palavras de Paulo Coelho...
No fundo é seguir a premissa de vida que eu não deixo de repetir: viver "como se não houvesse amanhã"... sentir o momento "como se não houvesse amanhã"... estar com os amigos "como se não houvesse amanhã"... fazer o que gostamos (e às vezes o que não gostamos, mas que tem que ser feito) "como se não houvesse amanhã"...

20080302

Évora...


"Se quiseres alguma coisa cá de Évora é só dizeres..." disseram-me.

"Humm... quero a calçada, quero o templo de Diana iluminado à noite... quero as capas negras e os magálas... quero as noitadas com direito a passagem no Manel dos Potes... quero as esplanadas nas noites quentes, e a chuva a bater no vidro da sala de aula... quero os crepes e os batidos da colher de chá e os encontros na praça do Giraldo... quero o solinho de meia estação quando estamos no nosso relvado e as sombras das oliveiras nos dias de verão... quero as noites de estudo (e muita conversa pelo meio) e os trabalhos de grupo na biblioteca (que nunca consegue manter um momento de silêncio)... quero aqueles abraços colectivos quando alguém precisa de uma força... quero os pequenos-almoços a correr e as frequências feitas no auditório (mas só essas, sabe-se lá porquê)... quero as conversas dentro do carro e os miminhos e massagens quando não há nada para se fazer... quero os croissants com chocolate dos amigos... quero as folhas douradas dos plátanos caidas pelo chão... quero as noites de tunas no barué... quero as surpresas de anos com bolo celíaco... quero a planície alentejana, os prados verdes com o pôr-do-sol a acompanhar...
Consegues meter isso tudo dentro de um saco e trazer para mim sff?"

Sinto-me uma priveligiada, pois conheço Portugal de norte a sul e todos os locais por onde passei trago comigo, imagens que não desaparecem sem mais nem menos, odores, sabores, cores... todos eles permanecem em mim... Não deixo de ser muito fiel às minhas origens, como é óbvio...
Mas o Alentejo, principalmente Évora terá sempre aquele encanto... ainda agora saí de lá (temporariamente, em Setembro lá estaremos de novo) e já se sente aquela saudade...

Isto tudo ajuda a mostrar como o ser humano é um ser descontente...
Quando temos algo não lhe damos o devido valor, só quando nos afastamos é que percebemos realmente a falta que nos faz... É pena só darmos o devido valor quando não temos, quando perdemos algo, quando nos afastamos...

(Palavras diferentes das que costumo partilhar, mas sei que haverá mais quem sinta, sem dúvida alguma, o mesmo que eu...)