20080719

Pinceladas...


Quando cheguei ela ainda lá estava… no lugar onde a havia deixado desde o meu último rasgo de inspiração (que curiosamente foi no ano passado). A caixa estava baça, com o tempo e as tintas, encavalitadas, esperavam ansiosamente para sair cá para fora…

Já me tinha esquecido a sensação que tinha ao fazer o pincel percorrer a tela de lés a lés. Cada pincelada leva algum desassossego, que ao material que pinto fica firme e por lá permanece esquecido e apagado por detrás de todas as cores e sombreados.

Os retoques, os pormenores, as sombras, a profundidade, esborratar com o dedo levemente para dissipar a cor e misturar na outra, respeitar os limites, não tremer a mão nos traços que requerem mais firmeza… como me podia ter esquecido da sensação de leveza?

A caixa deixei-a onde estava… “talvez já só nos devemos ver pró ano” – pensei.