20080720

A verdadeira arte de viajar...


Podiamos seguir as palavras de Mário Quintana e quando viajarmos deviamos sair à rua como quem foge de casa... "como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo".
Com estas viagens não me estou a referir àquelas em que apanhamos um avião para outro país ou mesmo quando viajamos para uma distância superior a 300 km das nossas casas... Uma viagem pode ser apenas a que levamos de casa para o café, do café para a faculdade/trabalho ou outro pequeno percurso que podemos percorrer...
Tantas vezes, ao fazer esses percursos rotineiros, apercebi-me de algo que sempre esteve naquele caminho que eu antes nunca tinha reparado...
Se deixarmos de caminhar concentrados nos nossos pensamentos e observarmos bem o que nos rodeia, se sentirmos os cheiros diferentes que percorrem o caminho lado a lado, vamos disfrutar muito mais de todo o tempo que deixamos passar durante as nossas viagens.... "Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali... Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"

20080719

Pinceladas...


Quando cheguei ela ainda lá estava… no lugar onde a havia deixado desde o meu último rasgo de inspiração (que curiosamente foi no ano passado). A caixa estava baça, com o tempo e as tintas, encavalitadas, esperavam ansiosamente para sair cá para fora…

Já me tinha esquecido a sensação que tinha ao fazer o pincel percorrer a tela de lés a lés. Cada pincelada leva algum desassossego, que ao material que pinto fica firme e por lá permanece esquecido e apagado por detrás de todas as cores e sombreados.

Os retoques, os pormenores, as sombras, a profundidade, esborratar com o dedo levemente para dissipar a cor e misturar na outra, respeitar os limites, não tremer a mão nos traços que requerem mais firmeza… como me podia ter esquecido da sensação de leveza?

A caixa deixei-a onde estava… “talvez já só nos devemos ver pró ano” – pensei.

20080714

Castelos no ar...


"Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces."

Palavras de Henry David Thoreau... vale sempre a pena acreditar nos nossos sonhos x)

20080704

Segurar a nossa mão...


"De onde vem esta busca? esta necessidade de resolver os mistérios da vida? quando as mais simples questões podem nunca ser respondidas?
Porque estamos aqui? o que é a alma? porque sonhamos?
Talvez seja melhor nem procurarmos... Não aprofundar, não ansiar.
Mas essa não é a natureza humana. Não é o coração humano. Não é por isso que estamos aqui.
Ainda nos esforçamos para fazer a diferença... Para mudar o mundo, sonhar com esperança... Sem nunca termos a certeza de quem encontraremos pelo caminho... Quem, de entre os estranhos, vai segurar a nossa mão, tocar o nosso coração e compartilhar a dor de tentar?"
[Heros 1x22]

Ultimamente tenho visto tantas injustiças, tanta desilusão, tanta falta de entreajuda, de compaixão, que me fazem duvidar que ainda há estranhos que seguram a nossa mão… Infelizmente há tantas pessoas a precisar de ajuda, sem saberem com quem podem contar, escondendo-se no meio das suas angústias e tristezas, a sentirem-se no limite das suas forças! E falando em limites, como podemos saber que aquele é o limite das nossas forças? Como podemos saber se amanhã não acordaremos mais fortes? Constantemente levamos a nossa vida ao limite… ao limite da velocidade, ao limite da necessidade de dormir, ao limite do nosso metabolismo… felizmente o nosso corpo vai-se adaptando às mudanças e vai aceitando esses limites, alargando essa linha ténue… Mas sentir o limite das nossas forças a chegar ao fim… ver que há tantas pessoas a precisar e tão poucas a estender a mão… desanima… cansa… entristece…