20090227

Escolho os meus amigos...


"Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter o brilho questionador e a tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero o meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também a sua maior alegria. Amigo que não ri em conjunto, não sabe sofrer em conjunto.
Os meus amigos são todos assim: metade loucura, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, loucos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que «normalidade» é uma ilusão imbecil e estéril."

Estas são as palavras de Oscar Wilde, que pude conhecer através do Espanhol e que partilho com os demais...