20080624

Quero...


"Quero adormecer na areia
loira da praia remota
enquanto no azul vagueia
a asa de uma gaivota."

E são estas as palavras de António Gedeão que ecoam com o bater as ondas...
Com esta brisa quente de Verão fica difícil fugir a um bom mergulho na praia!
O calor deixa-nos mais preguiçosos, mas os raios de sol contagiam alegria...
Esta quadra acompanhou-me por muitos livros de português, quando explicava os tipos de rima. No entanto, sempre me soube a mar, e chegando as férias de Verão esta quadra lá se ia mantendo sempre presente...
Hoje, sem querer, enquanto desfolhava um livro antigo, reencontrei-me com esta quadra, que me touxe uma enxente de calor, areia e mar a todo o meu ser...

20080613

Eu sei, mas não deviamos...


Acostumamo-nos a acordar de manhã, sobressaltados porque estamos em cima da hora, tomamos o pequeno-almoço a correr (ou não tomamos, simplesmente) porque o atraso já vai longo.
Acostumamo-nos a ler o jornal no comboio ou no metro porque (para além de ser gratuito) não podemos perder tempo na viagem, comemos sandes ou qualquer coisa com bom aspecto no primeiro café por onde passamos, porque não encontramos tempo para almoçar.
Acostumamo-nos a andar nas ruas e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir à publicidade que chega a ser mais longa que os próprios programas televisivos.
Acostumamo-nos a lutar para ganhar dinheiro, a ganhar menos do que precisamos e a pagar mais do que as coisas valem.
Acostumamo-nos a morar em apartamentos antigos e a não ter outra vista que não seja a das janelas ao redor.
Acostumamo-nos a não abrir de todo as cortinas, e à medida que nos acostumamos, esquecemos o que é o sol, o ar, o horizonte.
Acostumamo-nos à poluição, à luz artificial de ligeiro tremor, ao choque que os olhos levam com a luz natural.
Acostumamo-nos às bactérias da água potável, à morte lenta dos rios, à contaminação da água do mar.
Acostumamo-nos à violência, e aceitando a violência, que haja número para os mortos. E, aceitando os números, aceitamos que não haja paz.
Acostumamo-nos a coisas demais para não sofrer.
Acostumamo-nos para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde por si mesma.
Acostumamo-nos, eu sei, mas não deviamos.


Adaptado das palavras de Marina Colassanti...
A imagem sem dúvida teria que ser alusiva à preguiça e ao comodismo, e quem melhor que o Garfield para a representar?

20080606

Everybody lies

“Everydody lies”, já dizia o Dr. House…

E tomando a frase dele como ponto de partida, temos que a aceitar como uma verdade! Todos nós, em algum momento das nossas vidas, contámos uma mentira, para nos safarmos de algum castigo, para não magoar alguém, para evitar drásticas consequência e pior que tudo, mentimos a nós mesmos quando não queremos acreditar nas coisas mais óbvias e também mais dolosas mas nós próprios... A nossa mente tem mecanismos de defesa que fazem com que a mentira se torne uma verdade, apenas para aliviar aquele aperto no coração que sentimos em momentos de extrema tristeza… apenas para nos proteger, muitas vezes de nós mesmos…
Podemos contar as mentiras brancas, aquelas que contamos para fazer as pessoas sentirem-se melhores ou então as mentiras de racionalização que contamos para que nós próprios nos sintamos melhores…
E quando me dizem “ah e tal, eu não menti, eu apenas omiti”, a meu ver não deixa de ser uma mentira, não deixa de ser algo que procuramos esconder, pois se fosse perguntado directamente então mentiríamos porque seria impossível omitir…
Então mentimos a nós mesmos novamente, para acreditarmos que não mentimos, que apenas omitimos (os mecanismos de defesa são tramados)!
E as pessoas continuam a mentir, porque funciona… porque impede a desilusão daqueles que acreditam em nós… porque permite que as coisas se tornem mais fáceis, mais acessíveis…
Por isso, a todos aqueles que lêem estas palavras e que nelas encontram alguma verdade ou algum sentido, a próxima vez que se sentirem tentados a mentir, procurem dessa vez dizer a verdade, pois há formas de dizer a verdade que não são tão duras, que não magoem tanto!

(Podem sempre partilhar as vossas experiências em busca de uma greve à mentira num simples e simpático comentário…)